Mundo
Guerra na Ucrânia
Rubio quer Rússia e Ucrânia focadas no fim do conflito
A Ucrânia e a Rússia devem estar focadas em acabar com a guerra, afirmou o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, aos jornalistas durante a sua visita ao Uzbequistão, esta segunda-feira.
"Não vemos nada de bom vindo desta guerra", disse Rubio.
"Vemos muitos aspetos negativos, incluindo o risco real de uma escalada e de o conflito se espalhar para outro país — seja por causa de uma tentativa de sabotagem que falhou, ou porque drones, atingidos por guerra eletrónica, acabam por entrar num país vizinho."
Os EUA têm tentado mediar um acordo de paz para pôr fim à guerra na Ucrânia.
"No que diz respeito à nossa relação (com a Ucrânia), o nosso objetivo é pôr fim à guerra", que "ninguém está a ganhar", acrescentou Rubio, sublinhando, mais uma vez, os riscos de propagação do conflito pela Europa.
Rubio aterrou em Samarcanda no domingo à noite para se reunir com altos responsáveis do grupo C5+1, que reúne os Estados Unidos e os Estados pós-soviéticos de maioria muçulmana: Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turquemenistão.
Trump recebeu os líderes do C5 na Casa Branca, em novembro passado.Rubio nega pausa na partilha de informações com KievO secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou ainda esta segunda-feira que não houve "nenhuma pausa" na partilha de informações dos serviços de informação com Kiev, ao mesmo tempo que instou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a "concentrar-se" em "acabar com a guerra".
"Não sei onde é que ele vai buscar tudo isto ou porque é que partilha isto com a imprensa. Deviam perguntar-lhe. Não houve qualquer pausa", declarou Rubio à imprensa, ao comentar uma declaração de Zelensky de que os Estados Unidos teriam retomado a partilha de informações de inteligência com a Ucrânia após uma interrupção.
As declarações de Rubio surgem depois do Presidente ucraniano ter agradecido ao homólogo norte-americano a retoma da partilha de informações via Starlink.
No domingo, Volodymyr Zelensky agradeceu à administração Trump pela retoma da partilha de informações entre os dois países, mas afirmou que os EUA tinham restringido intencionalmente o acesso à internet via satélite Starlink, permitindo a Donald Trump enviar uma “mensagem” no âmbito do seu conflito com o presidente ucraniano.
Em entrevista à cadeia NBC, Zelensky disse que os EUA “desbloquearam” informações de inteligência sobre iminentes ataques russos com mísseis balísticos, os quais têm atingido a infraestrutura energética do país à medida que o inverno se aproxima.
“Apenas os Estados Unidos possuem este tipo de inteligência exclusiva para nos avisar quando a Rússia utiliza mísseis balísticos. E nós não recebemos esta informação durante os ataques com mísseis balísticos que ocorreram ao longo de três dias”.
“Isto ficou bloqueado durante um período. Depois, foi desbloqueado pelo lado americano. Estamos muito gratos por isso. Agora funciona”, disse Zelensky ao programa Meet the Press, da NBC.
Zelensky afirmou ainda que a SpaceX, de Elon Musk, foi a responsável por limitar, de forma repentina, a velocidade de operação dos terminais Starlink na Ucrânia, prejudicando tanto as operações com drones nas linhas da frente como algumas missões de defesa aérea.
“Foi uma mensagem do governo norte-americano para limitar a velocidade”, disse. “E, tecnicamente, foi a SpaceX que o executou.”Trump acusa Zelensky de não querer fim da guerra
Na noite de domingo, o presidente norte-americano afirmou que Zelensky não deseja o fim da guerra do seu país contra a Rússia — que dura há mais de quatro anos.
Na plataforma, a Truth Social, Trump escreveu que está em processo de negociação de um acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia, obtendo “grandes avanços”, mas sublinhou: “Zelensky não se importa; e, francamente, com todo o dinheiro que a Europa lhe tem enviado... não quer acabar com esta guerra — e, provavelmente, nunca quis.”
“O seu país está em ruínas, uma grande parte do seu território perdeu-se, perdeu o acesso aos oceanos e aos mares, e a sua população masculina está reduzida, ferida e/ou morta. EU QUERO QUE ESTA GUERRA ACABE! Agradeço a atenção dispensada a este assunto. Presidente DONALD J. TRUMP”.
“A minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação de paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não quero fazer nada que, de forma insensata, afaste a Rússia da mesa das negociações” frisa Trump na publicação.
Segundo o presidente norte-americano, “Zelensky está a utilizar as refinarias de gasóleo na Rússia como alvo, sabendo que estes ataques prejudicam gravemente os mercados globais de gasóleo, incluindo o dos Estados Unidos”.
“A minha decisão sobre a Rússia é muito simples. Estou em processo de negociação de paz na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, e não quero fazer nada que, de forma insensata, afaste a Rússia da mesa das negociações” frisa Trump na publicação.
Segundo o presidente norte-americano, “Zelensky está a utilizar as refinarias de gasóleo na Rússia como alvo, sabendo que estes ataques prejudicam gravemente os mercados globais de gasóleo, incluindo o dos Estados Unidos”.
O líder norte-americano defendeu a decisão de não aplicar novas sanções contra a Rússia, bem como o acordo entre Washington e Moscovo, anunciado dias antes, permitindo aos Estados Unidos importar petróleo russo.
Trump argumentou ainda que se assinasse neste momento a chamada Lei Graham, relativa a novas sanções contra a Rússia, faria com que Moscovo se retirasse das negociações.O republicano associou os ataques ucranianos contra as refinarias de petróleo russas à subida dos preços dos combustíveis a nível mundial, agudizada com a guerra no Médio Oriente desencadeada com os ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
Numa altura em que a Ucrânia teme ser abandonada pelo seu aliado americano, o Wall Street Journal noticiou que o presidente russo, Vladimir Putin, propôs aos seus homólogos — o norte-americano Donald Trump e o chinês Xi Jinping — uma reunião no próximo mês para discutir o fim do conflito, sem a participação de Kiev.
Os três líderes estão convidados para uma cimeira da APEC (Cooperação Económica da Ásia-Pacífico), que terá lugar em meados de novembro em Shenzhen, na China.
Questionado sobre um possível encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente russo, Vladimir Putin, e o líder chinês, Xi Jinping, para negociar o fim do conflito na Ucrânia — que já dura há quatro anos —, Rubio disse: "Fala-se numa reunião. Não sei se foi confirmada, mas o presidente tem sido claro: gostaria que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia chegasse ao fim".
c/agências